Bens imóveis classificados

    AM047-Edifício na Calçada da Vitória, n.º 55



    Localização: Macau

    Categoria: Edifícios de interesse arquitectónico

    Após a construção da Estrada da Vitória e da Avenida de Vasco da Gama, o sopé da Colina da Guia foi gradualmente urbanizado, transformando-se numa zona residencial privilegiada, semelhante à da Praia Grande (Nam Van) e da Avenida da República (Sai Van), caracterizada por moradias unifamiliares de elevada qualidade arquitectónica.

    De acordo com o projecto, a licença de construção e a certidão do registo predial, o Edifício na Calçada da Vitória, n.o 55 foi mandado construir por Hee Cheong, um conceituado empresário chinês, tendo a obra decorrido entre 1926 e 1928. O edifício foi a residência de Hee Cheong em Macau, sendo vendido à Diocese de Macau após o seu falecimento.

    Hee Cheong, ilustre cidadão chinês ultramarino, foi o fundador e gerente do Hotel Presidente (posteriormente denominado Hotel Central), o primeiro hotel de concepção moderna na cidade de Macau. Juntamente com outros chineses que residiam em Macau, Hee Cheong fez doações para a constituição de uma escola gratuita para os filhos dos cidadãos chineses do ultramar (uma das antecessoras da Escola Keang Peng), tendo proporcionado oportunidades de aprendizagem aos alunos carenciados. Além disso, Hee Cheong desempenhou também funções sociais na Associação Comercial de Macau e na Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu.

    Durante o período de ocupação japonesa de Hong Kong na Segunda Guerra Mundial (1941-1945), muitos comerciantes ricos de Hong Kong refugiaram-se em Macau. Entre estes encontrava-se a família Wai, proprietária de uma indústria farmacêutica, que alugou o referido edifício para servir de alojamento no território. O fundador desta indústria farmacêutica, Wai Sio Pak, faleceu no edifício da Estrada da Vitória n.º 55, segundo uma memória publicada pelo seu descendente, Wai Kei Shun.

    O edifício na Calçada da Vitória, n.º 55, é uma residência unifamiliar de dois pisos, com uma planta assimétrica, implantada no centro de um lote rectangular e composta por dois corpos separados por um pátio. O corpo principal alberga as funções sociais e privadas da casa, enquanto no corpo anexo, localizado no tardoz do lote, se situam as áreas de serviço. Seguindo uma tipologia comum na arquitectura residencial da época em Macau, as funções sociais estão concentradas no piso térreo do corpo principal, em torno de um átrio central, com as salas de estar e jantar voltadas para a frente do edifício e abertas sobre o jardim, através de uma varanda coberta com arcada que percorre os alçados Sul e Nascente. Subindo a escadaria de madeira, tem-se acesso ao piso superior, onde se concentram os quartos de dormir dos hóspedes e do proprietário, abertos para uma varanda coberta.

    A composição assimétrica dos alçados Sul e Nascente apresenta um desenho ecléctico, com galerias cobertas a percorrer o perímetro do edifício, caracterizadas, no piso térreo por um desenho em arcada e no piso superior por um desenho porticado, rematadas, à esquerda da entrada principal por um corpo avançado, de planta semi-hexagonal. O conjunto é encimado por uma platibanda decorada com balaústres e coroada por um frontão recurvo inspirado na forma de um campanário, com a inscrição da data de construção do edifício (1926). O acabamento exterior utiliza uma solução característica da arquitectura de Macau das décadas de 20 e 30 do século XX, com o revestimento em marmorite cinzento (Shanghai plaster), imitando a cantaria.

    A caracterização dos espaços interiores apresenta uma notável qualidade decorativa, evidenciando um estilo predominantemente ocidental, particularmente a nível das portadas, das lareiras, dos relevos em estuque e das decorações das janelas. Destaca-se ainda o delicado trabalho de carpintarias de estilo chinês, em particular, um elemento escultórico de grande requinte com o motivo tradicional de duas fénix com uma pérola augurando bons auspícios, no lambril do patamar intermédio da escadaria de acesso ao primeiro piso.

    O estilo arquitectónico e as decorações interiores da casa são um exemplo importante de integração de influências ocidentais e chinesas em edifícios de estilo ecléctico e são característicos das vivendas luxuosas construídas em Macau por empresários chineses no início do século XX.


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