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    Informações sobre o restauro da Casa do Mandarim

    Montagem de uma estrutura protectora como medida de “primeiros socorros”

            Após a recepção da Casa do Mandarim em Julho de 2001 e sob a política de primeiro socorrer e depois proteger, o Instituto Cultural iniciou primeiro um estudo sobre a recuperação do edifício da entrada do imóvel. Depois de apurada a disposição original e o método de construção do mesmo edifício, deu-se início às obras de execução até a sua conclusão em Dezembro do mesmo ano. Deste modo ficou garantida a segurança no acesso e criadas as condições para a recuperação geral do imóvel.
    Devido à longa história do imóvel e à ocorrência de incêndios no passado, a estrutura da Casa do Mandarim ficou gravemente danificada. Sob a proposta de uma empresa de consultadoria, o Instituto Cultural instalou uma estrutura de aço à volta do edifício e uma cobertura provisória com vista a evitar a entrada de chuva e uma deterioração ainda maior antes da sua recuperação. Este processo facilitou também o acesso de pessoal para a investigação, a recolha de dados e a avaliação para efeitos de restauro. A obra da referida estrutura protectora foi iniciada e terminada em Março e Setembro de 2002, respectivamente.

     

    Estudo aprofundado sobre o projecto de restauro

            Após a montagem de uma estrutura de protecção, o Instituto Cultural convidou um reconhecido especialista chinês em arquitectura típica do sul da China para liderar profissionais desta área na realização de uma pesquisa na Casa do Mandarim tendo em vista a elaboração de um estudo preliminar para o restauro do mesmo imóvel. Este estudo foi concluído em Março de 2003 e após a sua apreciação pelo Instituto Cultural, o mesmo especialista foi encarregado de realizar um estudo mais aprofundado sobre a execução das obras de restauro, com base nos critérios internacionais de conservação patrimonial e com respeito pela autenticidade e integridade do imóvel e a reversibilidade das obras. O mesmo estudo foi concluído em Dezembro de 2003.

            Considerando a experiência obtida no restauro do edifício da entrada da Casa do Mandarim e devido à vasta área de intervenção, o alto grau de danificação das estruturas existentes, a falta de dados básicos necessários para o restauro (é difícil efectuar uma pesquisa geral sobre estes dados), o grau de dificuldade do trabalho, a necessidade de pesquisa sobre os materiais a empregar, seria mais conveniente dividir as obras de restauro em diferentes fases. Estas fases realizar-se-iam sucessivamente em diferentes áreas do imóvel, tomando em consideração características da disposição do conjunto de edifícios da Casa do Mandarim, com vista a assegurar que as obras de restauro possam ser realizadas ordenada, eficiente e rigorosamente em conformidade com as exigências de salvaguarda patrimonial. Para esse efeito, o Instituto Cultural definiu uma estratégia de restauro da Casa do Mandarim: primeiro dever-se-á proceder à consolidação estrutural do conjunto de edifícios da Casa do Mandarim, depois o qual será efectuado o restauro arquitectónico e finalmente as obras de reabilitação antes do seu reaproveitamento.

     

    Investigação meticulosa com vista a um restauro fiel à fisionomia original

            De entre estas intervenções, a consolidação estrutural da primeira fase é a mais importante, porque para além da consolidação e recuperação das paredes, tectos e soalheiros, ainda é necessário anotar todos os vestígios originais que ficaram escondidos após a construção dos edifícios, para podermos conjecturar, provar e restituir o edifício à sua disposição original, assim como anotar detalhadamente e investigar sobre as estruturas, os acabamentos e o pormenor das decorações existentes, para que as obras de restauro arquitectónico possam ser desenvolvidas com sucesso. O Instituto Cultural procedeu às obras de consolidação estrutural desde Setembro de 2003 até Setembro de 2006. As obras foram divididas em 5 fases em 5 diferentes áreas. Durante esse período, além do cumprimento do objectivo original, foram ainda descobertas estruturas bastante significativas e valiosas, tais como um sótão escondido no edifício central, tubagens e divisões incompreensíveis e a primeira plataforma construída sobre os alicerces.

            As obras de restauro arquitectónico iniciaram-se em Novembro de 2006 e destinam-se principalmente ao restauro das portas, janelas, acabamentos e decorações originais do imóvel, para além da construção de muros de contenção, abertura de vales para instalações da rede de água e do sistema de electricidade e construções auxiliares tais como casas de banho, casa de bombagem com depósitos de água para o combate de incêndios. Prevê-se que todas as obras básicas do restauro arquitectónico possam estar concluídas em 2008.

     

    Ponderação das novas descobertas

            Como a Casa do Mandarim foi exposta aos elementos da natureza por mais de um século, encontra-se num estado bastante degradado, mais o facto de ter sofrido remodelações e acréscimos durante diferentes épocas da sua história, a sua fisionomia original tornou-se indistinta. O seu restauro requer bastante paciência e uma visão analítica, caso contrário, será difícil assegurar a autenticidade do restauro. De facto, as obras de restauro de um imóvel classificado podem também ser encaradas como uma obra arqueológica, porque é sempre possível fazer-se “novas descobertas” durante o processo de restauro. Perante este tipo de situação, é necessário reajustar o conteúdo e o progresso da obra, com vista a evitar que os executantes se afastem do objectivo de salvaguarda patrimonial numa tentativa de dar cumprimento às tarefas atribuídas. Por outro lado, o surgimento destas “novas descobertas” também ajuda a completar os dados originais em falta sobre a Casa do Mandarim, contribuindo desta forma para a restauração fiel da sua fisionomia original. Por isso, estas “novas descobertas” deverão ser estudadas com todo o cuidado e sujeitas a repetidos exames e comprovação. Tudo isto deverá ser feito passo a passo com vista a reconstruir, na medida do possível, a fisionomia original da Casa do Mandarim.

            A fim de mostrar de forma autêntica a arquitectura vernacular típica do Sul da China do fim da dinastia Qing e início da república chinesa, a Casa do Mandarim será apresentada, na medida do possível, na sua fisionomia original, isto é, sem qualquer termostato como os aparelhos de ar-condicionado. Isto constituirá um novo desafio para a conservação eficaz do património e da documentação relacionada com Zheng Guanying. Daí que o tempo e o esforço necessário para o restauro de um imóvel classificado sejam geralmente maiores do que os da construção de um novo edifício. O encargo das obras de restauro arquitectónico da Casa do Mandarim durante cerca de seis anos perfaz cerca de 40 milhões de patacas.

     

    Recolha extensiva de documentação e de objectos patrimoniais

            Para além do restauro arquitectónico, é também importante assegurar uma manutenção permanente e efectuar uma investigação histórica como medida eficaz de salvaguarda dos imóveis classificados. A Casa do Mandarim foi a residência ancestral de Zheng Guanying, uma personalidade de renome da história de Macau, e o local onde foi concluída a obra “Advertências em Tempos de Prosperidade” de grande importância para a história da China. No entanto, devido ao facto de Zheng Guanying ter-se deslocado desde muito cedo a Xangai onde trabalhou durante quase 60 anos, não existe efectivamente muita documentação sobre a sua estadia em Macau e daí a dificuldade, durante muito tempo, de obter progressos substanciais no estudo sobre o mesmo. Por isso, o Museu de Macau dependente do Instituto Cultural, constituiu um grupo de estudo para proceder à recolha e organização de documentação e de objectos sobre Zheng Guanying e a Casa do Mandarim, assim como à realização de entrevistas com os seus descendentes espalhados por diversas lugares e com os antigos moradores da Casa do Mandarim. Simultaneamente e sabendo de antemão que existe uma grande quantidade de documentos sobre Zheng Guanying na Biblioteca de Xangai, o Museu de Macau assinou um protocolo de colaboração a longo prazo com a mesma Biblioteca no sentido de desenvolver o arquivo de Zheng Guanying. Após 3 anos de esforços conjuntos dos académicos dos dois territórios, os resultados da primeira fase de estudo sobre Zheng Guanying foram expostos ao público na Exposição “Advertências em Tempos de Prosperidade – O Legado de Zheng Guanying” por ocasião do 10.º Aniversário do Museu de Macau. No mesmo dia, foram ainda lançadas as “Advertências em Tempos de Prosperidade”, “Correspondência Pessoal e Outros Documentos de Zheng Guanying” e “O Testamento de Zheng Guanying”, as primeiras três obras da “Antologia de Obras de Zheng Guanying” coeditada pelos dois territórios. Além da edição brochada, a primeira obra conta ainda com uma edição encadernada à maneira tradicional chinesa, impressa em papel de arroz e apresentada dentro de uma caixa estofada.

            O arquivo e documentação sobre Zheng Guanying constituem fontes importantes para o estudo do Movimento Auto-Reforço, das histórias da dinastia Qing e de Macau. Um dos objectivos da salvaguarda e restauro da Casa do Mandarim é dotá-la de conteúdo e de uma alma, de modo a permitir aos visitantes conhecer o contributo e a realização de Zheng Guanying na história, para além de poderem apreciar a arquitectura do mesmo edifício.

    28 de Abril de 2008.


     


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