Bens imóveis classificados

    SM019 Cemitério de S. Miguel Arcanjo


    Localização: Macau

    Categoria: Sítio

    Até à primeira metade do século XIX não existiu em Macau o conceito da gestão pública dos cemitérios, sendo os túmulos orientais e ocidentais dispersos por   diferentes zonas da cidade. Em 1836, as ruínas do Colégio de S. Paulo foram transformadas no Cemitério de S. Paulo e colocadas sob a gestão da Santa Casa da Misericórdia. Porém, o espaço do Cemitério de S. Paulo ficou saturado rapidamente e trouxe bastantes incómodos aos residentes. Por fim, o então Governador de Macau, Isidoro Francisco Guimarães, conseguiu angariar os fundos necessários para a construção do Cemitério de S. Miguel Arcanjo através da venda de sepulturas permanentes aos mais abastados e ao governo. O cemitério foi construído em 1854, enquanto o muro de vedação e a Capela de S. Miguel foram construídos em 1856 e 1875, respectivamente. A Rua de S. Miguel e a Estrada do Cemitério, que se situam nas imediações, também devem o seu nome ao cemitério.

    No cemitério encontram-se sepultadas várias pessoas famosas, incluindo   membros da família Senna Fernandes, o Coronel Vicente Nicolau de Mesquita, o poeta Camilo Pessanha e a sua família, o Mandarim da 5.ª classe da Dinastia Qing, Francisco Volong e sua esposa, entre outras. Além disso, existem muitas lápides e monumentos do século XIX e XX em diversos estilos. O cemitério é palco de cerimónias religiosas ligadas tanto a festividades ocidentais como chinesas, reflectindo o seu carácter de espaço comum a diversas culturas, religiões e costumes de Macau.

     

    Concluído há mais de 160 anos, o Cemitério de S. Miguel Arcanjo foi construído de acordo com as novas concepções do planeamento urbano do século XIX. Com a construção deste cemitério, a gestão dos enterramentos em Macau passou a ser regulamentada por legislação, o que se reflectiu na mudança de hábitos sociais   enraizados, simultaneamente reflectindo também que a sociedade de Macau exigia cada vez mais a salubridade pública. O Cemitério é assim um testemunho das transformações sociais e urbanas de Macau, constituindo uma referência para o estudo destas temáticas.

    O Cemitério de S. Miguel Arcanjo foi planeado e construído segundo o modelo  dos cemitérios Católicos, com um arruamento principal de entrada, que dá acesso a  uma capela, e a partir do qual se faz o acesso a uma rede de arruamentos internos  que subdividem o espaço em diferentes áreas adaptadas ao declive do terreno e  pontuadas por vegetação, formando uma paisagem única em Macau. A capela de S.  Miguel foi construída em 1875, num estilo revivalista neogótico, segundo projecto de António Alexandrino de Melo (Barão do Cercal). Era, conjuntamente com o antigo edifício do Hospital Conde de S. Januário, projectado pelo mesmo autor, um dos raros exemplos de arquitectura neogótica construídos em Macau, sendo actualmente o único ainda existente. O Cemitério de S. Miguel Arcanjo forma, com o Bairro de S.  Lázaro e os edifícios de arquitectura portuguesa da Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, o mais extenso conjunto arquitectónico e paisagístico de valor histórico conservado em Macau.


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