Bens imóveis classificados

    MM046 Ruínas do Colégio de S. Paulo (Antigo Muro, troço na Rua de D. Belchior Carneiro)



    Localização: Macau

    Categoria: Monumentos

    O Colégio de S. Paulo foi fundado pela Companhia de Jesus em 1594 e foi a primeira instituição de ensino superior de matriz ocidental em solo chinês. O Colégio abarcava uma igreja, uma ala educacional, jardins, dormitórios, uma tipografia, farmácia e horta, entre outras, sendo o seu perímetro delimitado por um muro. Em 1601, o Colégio sofreu danos com um incêndio devastador e foi reconstruído; tendo em vista pôr em prática o conceito medieval de colégio como um jardim vedado (Hortus conclusus), o muro foi novamente erigido em 1606, tendo sido concluído no mesmo ano[1]. Em 1835, o complexo foi novamente assolado por um violento incêndio, vendo destruída a maior parte dos seus edifícios.

    Em Maio de 2010, durante a obra de demolição de uma casa no n.º 35 da Rua de D.  Belchior Carneiro, foram encontrados vestígios arqueológicos. Após escavação e  análise in  situ  por  peritos,  concluiu-se  que  os  achados  faziam  parte  de  um  muro  em  taipa, que corria de Norte a Sul, com 15,6m de comprimento e 1m a 1,26m de largura na  parte  superior,  desconhecendo-se  qual  a  largura  da  parte  inferior;  esta  secção  do  muro  é  a  que  se  apresenta  mais  bem  conservada,  enquanto  a  parte  Este  da  secção  Sul   já não subsiste. A altura do muro era variável, consoante as secções, tendo cerca de 2,45m na parte mais alta.

    Na parte mais a Sul do muro foram encontrados dois blocos de cerca de 1.9m de comprimento, assentes em juntas alternadas e feitos igualmente em taipa.  O  muro  pode ser dividido em duas partes: a parte superior feita em taipa, um material que, de acordo  com  as  conclusões  da  análise  arqueológica,  se  preserva  relativamente  bem,  tendo uma altura residual de cerca de 1.36m e uma espessura de 5 a 10cm; e a parte inferior, que constitui uma fundação em pedra bem executada, com preenchimento de argamassa de barro e cal, tendo sido descobertas 5 camadas com uma altura de cerca de 1m e preenchimento de cinza branca, finalizadas com ladrilhos de cor cinza clara na face exterior.  Através da correlação entre documentos e mapas históricos, conclui-se que este troço de muro em taipa pertencia ao muro lateral do Colégio de S. Paulo.

    Actualmente, restam do Colégio de S. Paulo diversos vestígios arqueológicos, incluindo a fachada principal da igreja da Madre de Deus, testemunho da prosperidade e do declínio do Colégio ao longo da história. O perímetro do Colégio era delimitado por um muro, do qual restam algumas secções.  Entre estas, a secção de muro em taipa situada no n.º 35 da Rua de D. Belchior Carneiro, que, após análise dos vestígios arqueológicos, se concluiu que pertencia ao muro lateral do Colégio de S.  Paulo. Este achado reveste-se de um importante valor para a investigação histórica, uma vez que permite determinar de forma rigorosa, em conjunto com vários   outros vestígios anteriormente identificados, a área ocupada pelo Colégio de S. Paulo, servindo de referência para o estudo das ideias e práticas arquitectónicas, bem como para uma reconstituição do seu aspecto histórico. Os vestígios existentes do antigo Colégio de S. Paulo, incluindo o troço de muro identificado, são, no seu conjunto, um testemunho da história da antiga missão Jesuíta, da propagação do catolicismo e da educação, bem como do intercâmbio cultural entre oriente e ocidente.

     


    [1]Clementino Amaro, tradução para chinês de Zheng Yongxiu, O Colégio de S. Paulo e a Fortaleza do Monte: Intervenção e Leitura Arqueológicas, Macau, Museu de Macau, 1998, pp. 115-119.


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